A criança é um ser em constante atividade física, sempre em movimento, explorando o ambiente ao seu redor.

Quando percebe-se uma diminuição nesse ritmo — ela se recolhe, fica mais quieta —, esse pode ser um sinal de que algo não está bem. E, na maioria das vezes, a febre é o principal motivo de procura pelos consultórios pediátricos.

O que é a febre?
A temperatura corporal é resultado do metabolismo do organismo, que produz energia para manter a homeostase. Em condições normais, ela varia entre 35,5°C e 37,0°C, dependendo de fatores individuais, ambientais e do método utilizado para sua medição.

O método mais comum para verificar a febre em crianças é o uso do termômetro na região axilar, por cerca de 2 a 3 minutos. Outros métodos, como o oral, auricular ou retal, podem apresentar valores ligeiramente maiores — até 1°C acima do registrado na axila.

Classificação da temperatura

  • Temperaturas abaixo de 35,5°C indicam hipotermia.
  • Temperaturas acima de 37,0°C qualificam-se como hipertermia.

Em crianças saudáveis, pequenas variações nesse padrão, como a mudança de roupas ou o uso de agasalhos, podem influenciar a temperatura. Contudo, temperaturas muito elevadas ou muito baixas, fora desse padrão, merecem investigação clínica aprofundada.

Temperaturas até 37,5°C são consideradas subfebris, e o monitoramento deve ser mais atento. A febre é considerada a partir de 37,6°C, e pode chegar a valores acima de 40°C, cenário que exige cuidados especiais.

Quando a febre se torna um sinal de alerta?
A febre muitas vezes indica uma infecção — de origem viral, bacteriana ou até processos inflamatórios não infecciosos mais graves. Em algumas ocasiões, ela surge como o primeiro sinal de que algo diferente está acontecendo, mesmo que a criança aparentemente estivesse bem minutos antes.

Ao avaliar a criança febril, é essencial observar seu comportamento. Mudanças no nível de consciência, irritabilidade, desidratação, dificuldade para respirar, convulsões ou perda de consciência merecem atenção médica imediata.

Repouso e cuidado, mas com orientação médica
O uso de antitérmicos comuns pode ser indicado para aliviar o desconforto, mas o uso de medicamentos mais potentes, como anti-inflamatórios ou antibióticos, deve ser sempre orientado pelo médico, pois podem interferir no curso natural da doença.

Convulsão febril: uma preocupação comum
Nas crianças até 5 anos, a convulsão febril é um evento relativamente frequente. Ela ocorre geralmente durante episódios de febre e envolve movimentos incoordenados, olhos paralisados, respiração dificultada, arroxeamento dos lábios e duração de alguns minutos. Normalmente, o episódio é benigno e o prognóstico favorável, mas deve sempre motivar uma avaliação de emergência. Além disso, orientações médicas específicas são essenciais para prevenir episódios futuros.

Cuidado ao repetir tratamentos
Muitos pais costumam recorrer a tratamentos anteriores ao perceber uma febre, mesmo em situações novas e diferentes. No entanto, cada episódio deve ser avaliado cuidadosamente. Sintomas semelhantes podem estar associados a doenças diferentes ou mais graves, e o uso incorreto de medicações pode mascarar sinais importantes ou atrasar o diagnóstico correto.

Conclusão
A febre é um alerta importante e não deve, de forma alguma, ser desprezada. Ela é uma resposta natural do corpo, sinalizando que algo precisa de atenção. Sempre que sua criança tiver febre, procure orientar-se com seu pediatra para uma avaliação adequada e cuidados eficazes. Afinal, a prevenção e o acompanhamento profissional são essenciais para garantir a saúde e o bem-estar dos pequenos.

Dr. Alberto Dabori é pediatra e diretor médico do Prevent – Centro de Vacinação Preventiva